Vila Franca do Campo

Vila Franca do Campo, a primeira capital da Ilha de São Miguel, é actualmente um dos principais centros turísticos do arquipélago dos Açores.

Desde a sua criação, anterior a 1472, e até 1499, o poder da populosa e próspera vila-porto estendia-se a toda a ilha, nela residindo o capitão donatário, a nobreza fundiária, os grandes lavradores e abastados comerciantes.

Na terra fértil, os povoadores cultivavam trigo em abundância e duas plantas industriais, o pastel e a cana-de-açúcar que, laboradas em engenhos, eram objecto de activo comércio com países distantes.

No início do século XVI, Vila Franca era o mais importante porto comercial de São Miguel e aí funcionou a alfândega até 1518. Nesta opulenta vila quinhentista erguiam-se os paços do capitão da ilha, um sumptuoso templo dedicado a São Miguel Arcanjo, a ermida e o convento de São Francisco e só o pavoroso sismo de 22 de Outubro de 1522 destruiu e soterrou a formosa urbe que a energia dos sobreviventes ergueu de novo e expandiu para poente.

Nos séculos seguintes, os habitantes foram introduzindo e desenvolvendo diferentes produções agrárias: batata doce (séc. XVI), milho (séc. XVII), laranja e ananás de estufa para exportação (séc. XIX-XX), vinha, bananeira e pecuária (séc. XX).

Uma operosa classe piscatória concentrou-se na Vila, na proximidade do Cais Tagarete, animado por uma activa navegação de cabotagem até meados deste século.

As artes e indústrias cresceram igualmente ao longo da zona costeira da Vila: construção naval (sécs. XVII-XX), olaria (sécs. XVI-XX), fornos de cal (séc. XIX) torrefacção de chicória (séc. XX ) e conservas de peixe (1918).

Ao longo dos principais cursos de água, instalaram-se os moinhos e na Ribeira da Praia, o Engenheiro José Cordeiro construiu a primeira central hidroeléctrica dos Açores (1900) a que se seguiram mais duas (1903 e 1911), uma das quais musealizada, encontrando-se aberta ao público.

Actualmente, o concelho Vila Franca ocupa a metade sul da zona central da ilha de São Miguel e, graças à secular criatividade do seus habitantes, é detentor de um rico e diversificado património cultural.

No centro cívico da Vila e em torno do jardim público, avultam o edifício da Câmara Municipal (sécs. XVIII-XIX) a estátua de Gonçalo Vaz Botelho, do escultor Canto da Maia (1954) , a belíssima Igreja Matriz de São Miguel Arcanjo (séc. XVI), de formulário gótico e a Igreja de Santa Casa da Misericórdia (séc. XVIII) de recortado barroco, onde se expõe uma rica colecção de capas bordadas da imagem do senhor Bom Jesus da Pedra.

A praça Bento de Góis, onde se ergue o monumento ao célebre missionário, é dominada pelo convento de Santo André, fundado pelas religiosas de Santa Clara, cuja a Igreja (séc. XVIII) tem um pórtico de construção recente (anos 40). Na proximidade da praça, o conde do Botelho edificou um solar (séc. XIX), com elevado torreão, o mais importante edifício de arquitectura civil existente na Vila. Defronte deste solar funciona o Museu de Vila Franca do Campo, com várias secções dedicadas à cultura popular micaelense.

Na zona costeira, o cais do Tagarete conserva as muralhas do velho forte que o defendia dos corsários e hoje abriga as coloridas embarcações de pesca. Ao percorrer a avenida litoral Vasco da Silveira (1877), pode ver-se a ermida de Santa Catarina, a mais antiga da urbe, a estátua do Infante Henrique, do escultor Simões de Almeida (1932), o elegante edifício que serviu de Mercado de Peixe (1903), traduzindo as preocupações arquitectónicas e urbanistas do principio do século. Mais adiante, o Castelo das Taipas, o primeiro a ser construído, domina a Praia do Corpo Santo, uma das cinco praias de bandeira azul no concelho.

A freguesia de São Pedro cresceu ao abrigo do Convento dos Frades de São Francisco, com igreja dedicada a Nª Srª do Rosário e transformado em pousada, no âmbito de um projecto de turismo cultural de qualidade.

Defronte desta igreja, encontra-se o aprazível jardim Dr. António da Silva Cabral (1901) e logo a seguir a Igreja Paroquial de São Pedro (séc. XVIII).

A Vila Nova, que se estende até ao mar, é uma zona que se identifica com a tradição da olaria artesanal. Ainda hoje é possível comprar louças de barro, em três tendas e visitar dois núcleos museológicos: a olaria do mestre António Batata e o forno colectivo de cerâmica.

Sobranceiro à Vila, ergue-se o Santuário de Nossa Senhora da Paz. A subida à Ermida da Senhora da Paz, autêntico Santuário Mariano construído no cimo do monte proporciona uma excelente vista panorâmica sobre a vila, tendo por cenário de fundo o Ilhéu.

O Ilhéu da Vila, Reserva Natural que dista cerca de 1 Km da costa e para o qual existe, diariamente e sobretudo no Verão, uma carreira de transporte regular de passageiros.

A Praia da Vinha da Areia, lugar que oferece boas condições para a prática balnear, em conjunto com moderno aquaparque.

Nas freguesias rurais, para além dos valiosos exemplares da arquitectura popular, podem admirar-se a igreja paroquial de São Lázaro (Água d`Alto), a ermida de São João (Ribeira Seca), as igrejas do Bom Jesus Menino (Ribeira das Taínhas), a de Nossa Senhora da Piedade e a ermida de Nossa Senhora das Mercês (Ponta Garça). Nesta freguesia, o Solar dos Botelhos da Nossa Senhora da Vida alberga um rico património artístico e poderá ser visitado mediante autorização prévia. Vale a pena, também, uma deslocação ao Farol de Ponta Garça, onde poderá desfrutar de uma das mais interessantes vistas de mar da ilha.

A meio caminho entre Vila Franca do Campo e as Furnas, o Parque Florestal do Cerrado dos Bezerros com as suas infra-estruturas de apoio, como mesas, bancos, grelhadores e equipamento de recreio infantil, convida a uma paragem para merendar.