São Jorge, A ilha das Fajãs...

Com 65 Km de comprimento por apenas 8 Km de largura máxima e ocupando uma área de 246 Km2, a alongada ilha de São Jorge situa-se no centro de 3 ilhas, Terceira, Graciosa e Pico, delas distando, respectivamente, 21, 19 e 10 milhas.

Divide-se a sua área por 2 concelhos em cujas sedes, as Vilas da Calheta e das Velas, e respectivas freguesias, se podem apreciar ainda interessantes edifícios de rica traça arquitectónica e cultural, apesar do património desta ilha ter sido duramente afectado, por diversas vezes e ao longo dos tempos, por violentas crises sísmicas.

Na Vila das Velas, além de algumas solarengas moradias testemunhando a nobreza do seu passado, as Igrejas de São Jorge, Igreja Matriz e de Nossa Senhora da Conceição, o edifício da Câmara Municipal, o Portão do Mar e o Museu de Arte Sacra, destacam-se pela sua imponência.

Na Calheta, a Igreja de Santa Catarina, onde outrora se distinguia a sua capela mor em Talha Dourada, hoje poderá apenas ver um arremedo dum retábulo muito modesto do século XVIII, visto a mesma igreja ter ardido em 8 de Janeiro de 1639 e ter mais tarde caído em 9 de Julho de 1757.

A Igreja de Santa Bárbara, (classificada como monumento de interesse nacional), nas Manadas, de Nossa Senhora do Rosário e de São Francisco, no Topo e de Santiago Maior, na Ribeira Seca, bem como as paroquiais das freguesias do Norte Pequeno e Norte Grande, são templos que merecem a nossa atenção.

Na Matriz de Velas, com um curioso traço arquitectónico, encontra-se a capela mor digno de registo, um retábulo mameirista de 1570 (século XVI), oferta de D.Sebastião.

De igual modo, a Casa dos Tiagos, digna representante da arquitectura nobre da ilha do séc.XVII, no Topo, a Torre sineira, na Urzelina, emergindo das lavas do vulcão de 1 de Maio de 1808 que sepultaram a primitiva igreja, a nova igreja e a Ermida de Jesus da Boa Morte, e a Casa Gaspar Silva, na Ribeira Seca, merecem especial referência.

Paisagisticamente, o contraste da cordilheira central que atravessa a ilha em quase todo o seu comprimento, com a sua escarpada e recortada costa salpicada por fajãs estendendo-se mar adentro, conferem à paisagem jorgense um misto de agressividade e beleza, que a colocam em plano de destaque na escala paisagística da Região.

Resultado de desabamentos verificados ao longo da altiva costa litoral desta curiosa ilha, as fajãs, convertidas em pequenos pomares e terras de cultivo, constituem autênticos logradouros onde a extasiante beleza e a tão necessária e desejada tranquilidade se aliam, para dar lugar a momentos de absoluta paz interior.

Da mais famosa pelas suas saborosas amêijoas, a Fajã da Caldeira do Santo Cristo, à dos Cubres, também com uma cristalina lagoa e à do Ouvidor, de limites rendilhados beijando o mar, passando por uma série de outras fajãs não menos interessantes no conjunto paisagístico de São Jorge, o litoral desta ilha oferece quadros de rara e admirável beleza natural.

Completando toda esta deslumbrante paisagem costeira, estão:

- O Ilhéu do Topo, ao largo da ponta oriental da ilha, centro de nidificação de gaivotas e poiso de muitas aves marinhas, quer residentes, quer migratórias e onde se podem encontrar alguns bons exemplares da flora endémica dos Açores, razões que, aliadas à sua vertente paisagística, levaram à sua classificação como Reserva Natural;

- O Ilhéu dos Rosais, no extremo oposto de São Jorge, rochedo que, pela sua inospitalidade, apenas serve para poiso de algumas aves marinhas.

No planalto central da ilha, que culmina nos 1.053 m de altitude do Pico da Esperança, interessantes e inesquecíveis panorâmicas se podem vislumbrar sobre a própria ilha, de perto vigiada pelo Pico, Graciosa, Terceira e Faial.