Pico, A ilha montanha...

Com 448 Km2 de superfície, a Ilha do Pico é a segunda maior do Arquipélago e aquela onde se situa a mais alta montanha de Portugal, precisamente o Pico, que lhe deu o nome, com 2.351 m de altitude.

Terra de fortes tradições baleeiras, a sua área divide-se por 3 concelhos, Madalena, São Roque e Lajes e, tal como nas restantes ilhas dos Açores, o valor do seu património arquitectónico concentra-se, sobretudo, nas igrejas e ermidas existentes nas diferentes freguesias:

- A Igreja de Santa Maria Madalena, na Vila da Madalena, a de São Roque e o Convento e Igreja de São Pedro de Alcântara, em São Roque do Pico, a de Nossa Senhora da Conceição e Ermida de São Pedro, nas Lajes e tantas outras espalhadas pela ilha, são marcos que sobressaem no seu património construído

Dominando, não só todo este património, mas também toda a paisagem rural da ilha, a majestosa Montanha do Pico, classificada desde 1972 como Reserva Natural, é elemento marcante e sempre presente no seu panorama paisagístico.

Dotada de uma rede viária que se desenvolve desde a periferia ao interior, passando pela meia encosta da montanha, cobrindo praticamente todo o território picoense e proporcionando cenários de indescritível beleza, difícil se torna, definir este ou aquele como o melhor ponto turístico, ou aconselhar este ou aquele como o mais recomendado circuito, pois, por onde quer que se ande, não há uma única panorâmica pior que a anterior.

Não obstante, arriscamos indicar como locais de maior interesse:

- A base da Montanha, no ponto de partida para a sua escalada, no lugar das Furnas.

- Quer se suba ao Pico, caso em que se recomenda seja feita na companhia de um guia e, de preferência, antes do amanhecer ou do entardecer, para se poder desfrutar do extraordinário espectáculo do nascer ou pôr-do-sol do cimo da montanha, quer se opte por apenas admirar toda a grandiosidade daquela enorme e arrogante massa inerte, vista de baixo para cima, na retina ficarão certamente gravadas imagens inesquecíveis;

- As Lagoas do Capitão, do Caiado e do Paúl, de entre as demais da ilha, inseridas todas elas num ambiente natural verdadeiramente extasiante;

- O Mistério da Prainha, entre São Roque e Prainha, o das Bandeiras, entre Santa Luzia e Bandeiras, na costa norte e o Mistério de São João, na costa sul, extensos campos de lava derramada por erupções vulcânicas registadas já depois de povoada a ilha, destruindo então vários terrenos de cultura;

- Os Arcos do Cachorro, impressionante aglomeração de lavas perfuradas por numerosos túneis e grutas, por onde o mar passa em turbilhão, oferecendo um digno cenário;

- As Furnas de Frei Matias, da Silveira e dos Montanheiros, locais especialmente procurados e apreciados pelos amantes da espeleologia;

- As extensas áreas absolutamente virgens, cobertas de uma valiosíssima e exuberante vegetação, predominando na maioria delas o característico Cedro-do-mato (Juniperus brevifolia), das quais destacamos as Reservas Florestais Naturais da Lagoa do Caiado, do Caveiro e do Mistério da Prainha, autênticos santuários de uma riqueza muito própria da Região: a nossa Flora Endémica.

Na passagem pela Vila das Lajes, o Museu dos Baleeiros é paragem obrigatória, onde está patente ao público tudo o que se relaciona com a actividade da caça à baleia, hoje apenas uma grata recordação dos velhos “Lobos do mar”, desde bibliografia até à própria canoa baleeira, passando por todos os utensílios que eram necessários àquela actividade.

Ornamentando todo o conjunto de belezas naturais que os nossos olhos alcançam, o rendilhado dos muros de pedra solta formando os “currais” e as “canadas” onde crescem as videiras cujos frutas vão produzir o famoso “Verdelho do Pico”, bem como os característicos “maroiços”, pirâmides construídas com as pedras provenientes da limpeza e arranjo dos terrenos para a cultura da vinha, conferem a grande parte da paisagem litoral picoense um cunho muito próprio.

Embarcando, no cais da Vila da Madalena, numa das óptimas embarcações de transporte de passageiros que diariamente fazem ligação com a ilha do Faial, a última imagem que nos fica desta impressionante Ilha Negra são os Ilhéus, o Deitado e o Em Pé, sempre com a Montanha ao fundo a testemunhar a nossa profunda admiração.