Actividade Económica

A população distribui-se irregularmente pelas ilhas, concentrando-se em São Miguel a gran­de maioria dos residentes, 53%, seguindo-se a Terceira (23,5%), o Pico (6,4%), Faial (6,3%), São Jorge (4,3%), Santa Maria (2,5%), Gracio­sa (2,2%), Flores (1,8%) e finalmente o Corvo com apenas 0,2% da população açoriana.

Situando-se a população activa à volta dos 100.000 indivíduos, ela reparte-se em 22% no Sector Primário, 26% no Sector Secundário e 52% no Terciário. 

Na pecuária, o gado bovino ocupa lugar de destaque, sendo o leite a principal produção deste sector e excelente matéria-prima para a laboração dos seus derivados, manteiga, queijo e leite em pó. 

Por outro lado, a produção de carne de óptima qualidade destina-se em grande parte à expor­tação, especialmente para o continente Portu­guês e para a Região Autónoma da Madeira. 

No que respeita à produção de carne de suí­no e seus derivados, bem como à produção de ovos, principal produto da avicultura regional, destinam-se sobretudo ao abastecimento do mercado regional.

No Campo das Pescas, pela extensão da ZEE dos Açores, os mares açorianos constituem uma das grandes potencialidades da Região, oferecendo grande riqueza em diversidade e qualidade de espécies. No ramo industrial, a captura de tunídeos ocupa o lugar cimeiro, en­quanto que na pesca artesanal, o chicharro, o goraz, o congro, a abrótea e a cavala são as espécies mais capturadas. 

Das Indústrias Transformadoras existentes na Região, as ligadas à “alimentação, bebidas e tabaco” ocupam o 1º lugar em número, logo seguidas da “Indústria de Madeira”, sendo em São Miguel onde se encontram o maior número dessas Empresas. 
A energia térmica constitui a base da produ­ção de electricidade da Região, embora esta esteja estudando outras fontes energéticas al­ternativas, como a geotérmica, a hídrica e a eólica. 

A nível do Sector Terciário, a dispersão geo­gráfica das ilhas do arquipélago gera significati­va movimentação de mercadorias nos aeropor­tos e portos regionais, sobretudo pela troca de produtos inter-ilhas que permite suprir essen­cialmente as carências naturais das ilhas mais pequenas. 

Por outro lado, a mesma dispersão geográfi­ca, aliada à distância que separa a Região do Continente Português, origina grande tráfego de passageiros nos aeroportos regionais, seja para a troca de serviços inter-ilhas ou na circulação de turistas de ilha para ilha, seja no trânsito de pessoas de e para a Região. 

Além disso, as trocas comerciais com o exte­rior, através da importação de cereais, combus­tíveis, maquinaria e material de transporte e de matérias-primas e da exportação sobretudo de conservas de peixe, essencialmente as de atum destinadas ao mercado italiano, de produtos lácteos, pescado, madeira e alguns produtos agrícolas, assumem papel de relevo no contexto da economia regional. 

Representando uma pequena percentagem desta economia, mas porque sem dúvida cons­tituem produtos com um certo cunho regional, constituindo mesmo alguns deles “compra obri­gatória” para quem visita os Açores, a Beterra­ba, o Tabaco, o Chá, o Maracujá e o Ananás, este para ser consumido sobretudo em fresco, podem considerar-se como as principais cultu­ras industriais Açoreanas que, depois de trans­formadas, ou abastecem o mercado local ou são exportadas. 

O ananás (Ananassa Sativus, Lindl.) que se cultiva em estufas na ilha de S.Miguel, circuns­crita aos concelhos de Ponta Delgada, Lagoa e Vila Franca do Campo, na costa sul de São Miguel, é originário da América do Sul e foi introduzido na mesma ilha, como planta orna­mental, nos meados do século XIX. A sua cultura visou primeiramente o abaste­cimento das casas abastadas, sendo a mesma desde o início praticada em estufas aquecidas apenas pelo sol. As primeiras estufas datam de 1864. As estufas são sempre rectangulares, cobertas de vidro caiado formando duas águas com in­clinação aproximada de 33º. Na parte superior da cobertura, os “alboios” servem para regular a temperatura do interior da estufa e para fazer a ventilação na fase final da cultura. Resultado de todo um laborioso processo, que ao longo dos anos se tem pautado por um aperfeiçoa­mento das técnicas utilizadas com vista a uma cada vez melhor qualidade, o Ananás de São Miguel atingiu já o estatuto de “recordação da ilha”, para quem a visita. 

Por outro lado, a cultura da Beterraba saca­rina que se pratica em São Miguel há pouco mais de 100 anos e que no início se destinava à produção de álcool, representa hoje uma ac­tividade industrial com alguma importância na economia da ilha, abastecendo as suas ramas a única fábrica de laboração de açúcar existente na Região. 

De igual modo, a produção do Tabaco também cultivado na ilha de São Miguel, assegura o fun­cionamento das fábricas aí existentes, ocupando assim esta planta um dos lugares cimeiros na escala das culturas industriais da Região. 
Ainda em São Miguel, destaque talvez para outras duas culturas cujas produções, embora não sendo das mais significativas em quantida­de, são no entanto produtos que realçam pela sua qualidade, sendo por isso muito procurados e apreciados, não só pelos residentes, como também por aqueles que a ilha visitam, como é o caso: 

  • do Maracujá, apreciado fruto que pode ser consumido em fresco ou em doçaria, mas cuja aplicação principal é a sua utilização como matéria-prima no fabrico de uma típica, aro­mática e saborosa bebida espirituosa, o “Licor de Maracujá”; 
  • e do Chá, cuja planta foi trazida da China para os Açores por volta do ano de 1801, sendo primeiramente cultivada na ilha Terceira e es­tendendo-se, algumas dezenas de anos mais tarde, a São Miguel, aonde se deslocaram pro­positadamente dois Chineses para ensinar aos seus produtores os segredos da cultura e da fabricação desta deliciosa bebida. 

Actualmente circunscritas a uma zona muito localizada daquela última ilha, as plantações do chá sobressaem na paisagem da Gorreana, pela forma pitoresca das suas viçosas e verdes plantas arbustivas.